“Decaimento da verdade é quando lentamente uma sociedade deixa de ligar para a verdade, para o consenso a respeito de um conjunto básico de fatos.” (Pedro Doria – 21/05/2021). Também chamada de truth decay, a crise de confiança afeta diversos aspectos da sociedade, desde as relações pessoais até as profissionais, nos aspectos de sustentabilidade ou ESG nas organizações.

Quem pode influenciar?

No último ano, o mercado financeiro acelerou a direção aos investimentos sustentáveis, com foco nos aspectos ESG – Environmental, Social and Governance. O dever fiduciário preconiza que o gestor de investimentos é guardião do $ que não é seu e, portanto, deve garantir sua perenidade. Isso implica em compromisso com a verdade, ou seja, com gestão não fraudulenta. Para dar suporte a esta responsabilidade, muitas alianças foram formadas com o objetivo de aumentar a confiabilidade e rastreabilidade nas informações fornecidas pelas organizações.

Em 2020, a Black Rock se posicionou claramente sobre a inclusão de sustentabilidade em sua carteira de investimentos. Em 2021, reforçou sua visão com diferentes iniciativas concretas. Em paralelo, movimentos internacionais também vêm se organizando como, por exemplo, The Net Zero Asset Managers Initiative e Net-Zero Banking Alliance. Tempo e $ têm sido gastos para propiciar busca por informações verdadeiras, possibilitando tomada de decisão sobre investimentos sustentáveis. Desenvolvimento de métricas, taxonomia comum, ferramentas etc. são necessárias para permitir comparar resultados reais de empresas, seus riscos associados e seu estágio na transição para negócios sustentáveis de forma verdadeira. A união entre International Integrated Reporting Council (IIRC) e Sustainability Accounting Standards Board (SASB) é mais uma iniciativa que comprova a intenção de simplificar os processos de divulgação de resultados ESG transparentes pelas organizações.

E o papel do Compliance?

Na esteira dos riscos corporativos, as estruturas de compliance e combate à corrupção também consomem esforços enormes das organizações, que precisam assegurar a sua verdade. Controles internos, auditorias e treinamentos têm ocupado importante papel na vida corporativa.

Falando sobre a política, Pedro Doria diz que “estão legitimando a mentira. Alguém precisa fazer algum gesto… O decaimento lento da verdade está em suas fases finais.”.

Falando sobre as organizações,  entendo que surge uma luz amarela no fim do túnel, quando os detentores do $ reconhecem que têm um papel importante a desempenhar na sustentabilidade global. Entender que não podem mais ficar de fora os faz agir concretamente, para não correr o risco de perder seus ativos.

Como mudar para uma cultura ESG?

Inegavelmente, as ações com impactos ambientais, sociais e econômicos positivamente efetivos e a divulgação dos resultados ESG das organizações ganharam peso maior. E não podem ser ignoradas por elas, sob o risco de se tornarem menos relevantes no cenário nacional e global.

Então, é preciso mudar! E isso se faz com conhecimento e gestão que garantam comportamento de todos os colaboradores na direção da sustentabilidade, no dia a dia. Desde a idealização de novos produtos e serviços até a sua operação, incluindo os relatórios integrados com informações financeiras e de gestão ESG.

Assim, a sustentabilidade torna-se um dos caminhos viáveis para o retorno à cultura da verdade. Um caminho mais curto, mais fácil e menos custoso do que os que temos trilhado. E que só depende de nós!

E você, já está no caminho de ajudar a sua organização a se tornar mais sustentável?

Autoria: Christina Barbosa